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Só... Lima&Limão

Só... Lima&Limão


18.08.18

A casa dos avós!

Maria Lima limaolima

Na sala, enquanto dedilho algumas palavras no computador, ouço os risos dos miúdos enquanto correm pela casa. A avó, no alto dos seus 85 anos, vai-lhes ralhando para ter a certeza de que ninguém se magoa. Outros espreguiçam-se debaixo do guarda-sol deitados numa esteira ou dormitam numa rede debaixo da videira. Todos esperam pelas quatro horas da tarde, o momento em que lhes é permitido correrem para a praia, onde poderão jogar à bola, às raquetes ou tomar um banho na imensidão do mar.

 

Outro dia li, algures, esta pequena frase que muito me fez pensar e recordar: “É na casa dos avós que os primos se tornam o melhores amigos.”

 

 


16.08.18

À espera de ti!

Maria Lima limaolima

Cinco anos de espera por um sorriso, por um abraço, por um pequeno beijo. Como queria apertar-te nos meus braços, dizer que te amo, que esperei desesperadamente por ti.

Os anos foram passando vagarosamente e, sem dar fé, envelheci. A distância entre nós torna-se cada vez maior. O teu pai também envelheceu, os teus irmãos cresceram (um até já tem uma namoradita) e a ilusão foi dando lugar à desilusão.

Cinco anos à espera pacientemente, fazendo tudo para te ter nos meus braços. Os telefonemas trimestrais só para lembrar que estamos aqui, que tudo está igual, que nada mudou.

No entanto, olho para trás e vejo que muita coisa mudou. O tempo, os sonhos, a tristeza, que aos poucos e poucos, se foi instalando trazendo com ela a descrença e o cepticismo. Mas continuo teimosamente à espera, porque ainda não senti o teu cheiro, não vi o teu olhar, não partilhei os teus sonhos.

Os teus irmãos perguntam-me quando é que tu vens. E eu sinto um vazio quando lhes responde “não sei”. Não sei quando é que vens, não sei se realmente vens e também não sei mais o que lhes dizer.

Não sei como te trazer para casa, mostrar-te o teu quarto, apresentar-te à família. Apetecia-me ligar outra vez para relembrar que estamos aqui, mas ainda ontem liguei e só me resta esperar. Esperar por um telefonema que não chega, por uma cegonha que teima em não vir.

E, pacientemente eu continuo à espera. À espera de te ter nos meus braços, de ver o teu sorriso, de ver o teu rosto, de partilhar os teus sonhos.

Pacientemente eu vou continuar à espera de ti!

à espera.png

                                       (imagem retirada da internet)

 

 

 


09.08.18

Uma manhã de praia

Maria Lima limaolima

O sol e o calor já se faziam sentir pelas oito da manhã. A cama incomodava e os pensamentos vagueavam pelo prazer de uma bela manhã de praia.

Chegamos à praia por volta das nove e um quarto. Surpreendida reparo que esta já se encontra coberta de gente. Pessoas estendidas ao sol, deitadas nas suas toalhas numa preguiça saudável, pessoas sentadas nas rochas a olhar o vazio do horizonte, pessoas na água nadando vigorosamente, pessoas a receber as ondas que candidamente se enrolam nos seus pés enquanto conversam animadamente umas com as outras.

Abro o pára-vento, não porque houvesse nortada, mas pela necessidade de me sentir mais aconchegada, protegida de olhares indiscretos.

Estendo a toalha e vagarosamente deito-me ao sol e deixo que este me envolva nos seus braços. Tiro o livro e o chapéu da mala (o protector já tinha sido colocado em casa, num ritual diário, independentemente de uma ida à praia ou não) e assim partilho outras histórias, histórias de pessoas que não conheço, mas que me dizem tanto que me permitem partilhar a sua vida de uma forma quase omnipresente.

No entanto, o sol vai-me embalando cantando canções que só eu ouço e fecho os olhos numa atitude semi-inconsciente. Ao longe, ouço as pessoas a falar das suas vidas, do jogo de futebol onde o árbitro só roubou, de mães que se puseram a pé às cinco da manhã para fritar croquetes e bolinhos de bacalhau (nunca compreendo se é um desabafo de lamúria ou de bravura) e os risos das crianças que brincam ternamente umas com as outras e, lentamente, adormeço.

O sol aquece cada vez mais é uma forma simpática de me acordar carinhosamente. Vagarosamente regresso ao riso das crianças, às conversas amenas de uma manhã de verão, olho à minha volta e vejo o mar com toda a sua dimensão e profundidade. Os raios de sol batem no azul da água, respiro fundo e penso que é hora de voltar a casa.

Chamo o pessoal e relembro que são horas de regressar. As pessoas gracejam sobre o facto de se ir à praia e não se tomar banho, não entrar naquele mar azul onde a água estava “fantástica” e eu sorrio, sarcasticamente, para dentro pois desisti, há muito tempo, de tentar explicar que eu adoro praia, adoro olhar para o mar, mas que não encontro prazer em entrar naquela água gelada e mergulhar na sua mística profundeza.

 

Praia.jpg

     (Imagem retirada da Internet)

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